segunda-feira, 29 de abril de 2013




À LUZ DO TEMPO

Lá está ele intacto.
Conservo-o como se ainda fosse o que fora.
Cabelos e sobrancelhas negras.
Boca carnuda.
Nariz aquilino.
Lindo menino.

Trago-o n’alma com o sorriso pronto.
Com os pés ligeiros a correr por entre as enormes nogueiras.
O rosto corado.
As mãos arteiras.

Tentando me alcançar nem dos galhos ele desviava.
Eram arranhões e sustos.
Mas quando nos braços me tomava
Como o troféu valesse toda luta se orgulhava.

Nossos abraços... nossos beijos.
Éramos pouco mais que duas crianças e o desejo imperava.
Estreitada em seus braços o céu eu experimentava

Ele dizia que eu era o anjo de seu dia-a-dia.
Que ao meu lado só conhecia a alegria.

Aconteceu um adeus.
O destino nos jogou cada qual para o seu canto.
Só sobrou meu pranto...

Mas isso vem de uma data tão distante.
Não distante deste tempo.
Mas de tempos imemoráveis.
Por que então as imagens?

São lembranças... à luz do tempo...

sonia delsin 

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