À LUZ DO TEMPO
Lá está ele intacto.
Conservo-o como se ainda fosse
o que fora.
Cabelos e sobrancelhas negras.
Boca carnuda.
Nariz aquilino.
Lindo menino.
Trago-o n’alma com o sorriso
pronto.
Com os pés ligeiros a correr
por entre as enormes nogueiras.
O rosto corado.
As mãos arteiras.
Tentando me alcançar nem dos
galhos ele desviava.
Eram arranhões e sustos.
Mas quando nos braços me
tomava
Como o troféu valesse toda
luta se orgulhava.
Nossos abraços... nossos
beijos.
Éramos pouco mais que duas
crianças e o desejo imperava.
Estreitada em seus braços o
céu eu experimentava
Ele dizia que eu era o anjo de
seu dia-a-dia.
Que ao meu lado só conhecia a
alegria.
Aconteceu um adeus.
O destino nos jogou cada qual
para o seu canto.
Só sobrou meu pranto...
Mas isso vem de uma data tão
distante.
Não distante deste tempo.
Mas de tempos imemoráveis.
Por que então as imagens?
São lembranças... à luz do tempo...
sonia delsin

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