VINHO
Uma taça.
Olho a bebida. A bela cor.
Absorvo o cheirinho bom da uva.
Boa safra.
Examinei bem a garrafa.
Depois... lentamente vou
tomando-a enquanto recordo momentos bons...
O vinho me entontece um pouco e rio.
Rio do tempo bom, do tempo
ruim.
E rio de mim.
O vinho sempre teve o dom de
me aquecer...
De me enrubescer.
Recordo um lugar onde
costumávamos frequentar.
Já não quero rir... só chorar.
Outra taça posso buscar.
Mas não quero me embriagar.
Porque muito pouco sempre
consegue me derrubar.
Melhor a garrafa guardar.
O vinho não pode me fazer
esquecer.
Nada consegue tirar o meu
sofrer.
sonia delsin

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