segunda-feira, 29 de abril de 2013



Ó, este cheiro de mato!

Mata-me este cheiro de mato.
De mato cortado.
Recorda-me tempos bons demais.
Coisas que se eternizaram nas lembranças.
Quando sinto este cheiro começo a viajar...
Confesso que consigo voar e bem depressa.
Lá pra aonde eu vou se acaba minha pressa.
Fico lá correndo com meus pés de menina.
Com meus olhos de criança ganho confiança.
E corro sem parar.
Quase consigo alcançar um pássaro a voar.
Borboletas também posso pegar.
E corujas...
Deus! Fiz tantas artes nos ninhos das pobres.
Busquei lagartixas para correr pelos meus braços.
E cigarras eu amarrei com barbante longo.
Dá-lhes a ilusão do voo.
Não fazia por maldade.
Era a inocência.
Era a idade.
O cheiro de mato me traz tudo isso.
E mais que isso.
Devolve-me um paraíso.

sonia delsin 

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