segunda-feira, 29 de abril de 2013



OS POETAS DORMEM...

Poeta, você que com tanto vigor caminhava.
Que de tudo participava.
Viu-se numa cama e numa cadeira de rodas...
Suas pernas foram amputadas.
Quantas dores guardadas!

Mas o pior estava por vir.
Depois disso nunca mais eu o vi sorrir.

Seus lindos olhos somente vultos passaram a enxergar.
Você que tanto amava a leitura e a escrita.
Precisou de tudo isso se privar.

Tantas vezes eu o vi a chorar... a lamentar.
A razão quem podia lhe tirar?

Tantos anos neste doloroso estado.
Coitado!
É de deixar qualquer um desolado.

Mas, poeta...
Sinto sua alma tão grande neste corpinho em travesseiros apoiado.

Eu sempre lhe amei.
Sempre.
Quando na varanda você escrevia.
Quando para mim você lia.
Quando vinha me mostrar sua poesia.

Um menino encantado com o mundo você me parecia.

Tantas vezes foi condecorado.
Tudo vai ficar pra sempre guardado.

Poetas não são esquecidos.
Não morrem...
Só ficam adormecidos.

sonia delsin 

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