OS POETAS DORMEM...
Poeta, você que com tanto
vigor caminhava.
Que de tudo participava.
Viu-se numa cama e numa
cadeira de rodas...
Suas pernas foram amputadas.
Quantas dores guardadas!
Mas o pior estava por vir.
Depois disso nunca mais eu o
vi sorrir.
Seus lindos olhos somente vultos passaram a enxergar.
Você que tanto amava a leitura
e a escrita.
Precisou de tudo isso se
privar.
Tantas vezes eu o vi a
chorar... a lamentar.
A razão quem podia lhe tirar?
Tantos anos neste doloroso
estado.
Coitado!
É de deixar qualquer um
desolado.
Mas, poeta...
Sinto sua alma tão grande
neste corpinho em travesseiros apoiado.
Eu sempre lhe amei.
Sempre.
Quando na varanda você
escrevia.
Quando para mim você lia.
Quando vinha me mostrar sua
poesia.
Um menino encantado com o
mundo você me parecia.
Tantas vezes foi condecorado.
Tudo vai ficar pra sempre
guardado.
Poetas não são esquecidos.
Não morrem...
Só ficam adormecidos.
sonia delsin

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