terça-feira, 23 de abril de 2013



AQUELA ESTRELA

Pai, um dia, quando eu era pequenina, me falaram que cada pessoa que morre se transforma numa estrela.
Aquela tão brilhante é você, não é?
Pisca pra mim. Diga que é sim.
Eu sei muito bem que não devia estar te amolando.
Mas é que estou precisando.
Tem algo me sufocando.
Meu peito está doendo.
Estou sofrendo.
E preciso chorar.
É a forma que encontro para aliviar.
Eu sinto que de onde você está sente desejos de me ajudar.
Mas já está ajudando.
A morte me tirou a sua companhia. Mas não o levou de mim naquele dia.
Só o seu corpo físico se acabou.
Meu querido, eu acredito que sua alma ainda existe e lhe garanto que isto me deixa menos triste.
Posso não ter seu abraço agora, mas quem sabe uma hora...
Quem sabe se você não é esta estrela tão distante e me observa sem que eu saiba?
Consola-me saber que nos amamos tanto. Consola-me acreditar que a eternidade sabe guardar os sentimentos. Que existirão entre nós dois outros momentos...
Cada qual com sua crença. A minha é esta.

sonia delsin 

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